Por vezes um passado de “escuridão” pode tornar-se  fonte de “iluminação” para uma nova geração. Mais de quatro décadas de comunismo, no qual a cultura só era usada para propaganda, parece ser um herança difícil de ultrapassar. Mas no caso da Roménia, o seu passado “cinzento” não serviu de obstáculo, mas sim de fonte de inspiração para a nova geração de cineastas e para as raízes do renascimento espetacular do cinema romeno. O passado totalitário e a transição da democracia do país da Europa do Leste foram os temas que inspiraram a “New Wave” dos cineastas romenos. A maior parte dos filmes da New Wave Romena têm lugar durante os anos 80 sob o regime comunista de Ceausescu, lidando com as lutas e a adaptação da vida sob o regime de um ditador. Minimalista no estilo e muitas vezes austeros, os filmes dão uma sensação realista ao espectador e empregam o humor negro e o cinismo como características comuns.

O primeiro filme que abriu a porta para o sucesso internacional foi Trafic realizado por Catalin Mitulescu que ganhou a Palma de Ouro para Curtas-Metragens no Festival de Cinema de Cannes em 2014. Desde aí, nos 4 anos seguintes, os filmes romenos não sairam de Cannes sem um prémio. The Death of Mr.Lăzărescu, a segunda longa de  Cristi Puiu, depois de receber  uma grande aclamação internacional, recebeu o prémio Un Certain Regard em 2005 em Cannes. A comédia negra conta a história da última noite de um homem velho, que é transportado de um hospital para o outro uma vez que lhe é recusado o tratamento e é desprezado pelos médicos. Para além das questões morais aqui levantadas e o paradoxo de trazer sorrisos ao espectador, o filme também pode ser lido como um comentário condenatório sobre a evolução do panorama económico e político da Roménia, cuja rápida transição do capitalismo para a democracia mudou o modo como  muitas pessoas viviam as suas vidas e tratavam os outros.

O sucesso internacional continuou com o filme de Corneliu Porumboiu, 12:08 East of Bucharest,  um filme financiado de forma independente, que ganhou a Camera d’Or em 2006. Mas o auge da New Wave do Cinema Romeno deu-se em 2007 quando o filme  de Cristian Mungiu, 4 Months, 3 Weeks and 2 Days, ganhou a Palma de Ouro na 60ª edição do Festival de Cinema de Cannes. O filme, que conta a história de dois colegas de quarto que tentam arranjar um aborto ilegal, funciona como uma lembrança dolorosa da opressão e da miséria proveniente da ditadura de Ceaușescu. Tendo lugar numa era em que o governante comunista romeno tentava aumentar a sua população banindo qualquer método de contracepção, o filme não só dá ao público arrepios mas também fá-lo pensar. Para além de ter nomeado o filme como o seu favorito de 2007, A.O. Scott , crítico de filmes chefe para o New York Times,  também colocou o filme na sua lista de melhores filmes da década como número 7.

 

Filmes como The Paper Will Be BlueCalifornia Dreamin’, “Police, Adjective”Tuesday, After Christmas If I want to whistle, I whistle são outros exemplos de filmes que fazem parte da New Wave do Cinema Romeno, que obteram sucesso internacional e que são um “must see” para qualquer amante de cinema europeu.

O passado político sombrio da Roménia foi apenas o “tema de pontapé inicial” que inspirou a nova geração de cineastas. O sucesso internacional dos filmes independentes romenos foi confirmado todos os anos em festivais de cinema importantes, mesmo com a mudança de enredo, os filmes decorrem na Roménia moderna e retratam problemas contemporâneos. O último exemplo saiu este ano, quando The Child’s Pose realizado por Călin Peter Netzer ganhou o Golden Bear na 63ª Edição do Berlin International Film Festival.

Relatando de Cannes em 2010 pela parte do Los Angeles Times, Steven Zeitchik disse: “Os romenos não conseguem fazer um filme mau. É tipo ilegal no seu país ou pelo menos não está no seu ADN”. Nós não somos médicos por isso não podemos dizer se é uma questão de ADN ou não, mas o que sabemos com certeza é que qualquer amante do cinema independente deve tentar e descobrir o que o universo do cinema romeno tem para oferecer e todos os cineastas romenos devem enviar-nos os seus últimos filmes para serem avaliados para o ÉCU 2014. Nós estamos desejosos de descobrir novas criações romenas e expô-las a um vasto público internacional. Por isso descobra como fazê-lo aqui e surpreenda-nos com o seu filme!

Ruxandra Matei

 

 

 

 

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